Fikções, opinadelas e cenas que tais

segunda-feira, 9 de maio de 2011

The Troll Hunter

Benvindo a "Blair Witch-meets-Trolls-in-Norway"! Sempre gostei deste subgénero cinematográfico (Blair, Cloverfield...) e este é, sem dúvida, mais um fabuloso espécime que logo nos primeiros minutos passei a "degustar".

Óptimo filme Norueguês de André Øvredal sobre uma área da mitologia nórdica que aparentemente é levada bastante a sério e a qual apenas poderia ser contada pelos mesmos, em todas as suas vertentes e conflitos culturais. O modo documentário amador assenta-lhe como uma luva e tem bastantes momentos de genuíno e raro impacto que se desenrolam numa envolvência bastante bem conseguida, pintada toda ela numa tela onde sobressai subtilmente a magnifica paisagem norueguesa. Toda a história à volta das ilusivas criaturas é desbobinada de forma a que o mais comum dos mortais entre nela sem grandes esforços. Bom momento de cinema completamente fora do mainstream.


8.

Notas curiosas: o aviso nos créditos finais contém um toque humorístico excelente; Otto Jespersen, o actor que faz de "caçador de trolls", é já considerado um herói norueguês, vá-se lá perceber...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Portugalnomics, a lesson in History



terça-feira, 3 de maio de 2011

Almighty Thor!

Um dos meus super heróis de infância favoritos de sempre, essencialmente pelo seu background nórdico épico e mitológico, Thor explode agora no grande ecrã em toda a sua pujança. Filme bastante competente com momentos de grande peso e tensão apesar de algumas incongruências na substância, aqui e ali, não chegando as mesmas para estragar a festa. A história difere um pouco da original Marvel mas numa lógica de viabilidade cinematográfica, bem estruturada.
Chris Hemsworth está à altura da personagem, assim como todo o restante elenco. Nota-se perfeitamente a assinatura de Kenneth Branagh nos textos e enredo, trazendo uma solidez bastante positiva a este tipo de filme fantástico.


8.

Nota mais para todo o encaixe Marvel que se está a formar (Thor, Iron Man, Capt. America...) na preparação do eventual delírio que será os Avengers em 2012. Nice, very nice.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

A verdade sobre uma constatação "por defeito"?


Uma versão diferente de uma ideia, uma gravação no subconsciente luso. Dá que pensar...

Portugueses...

Era no tempo em que, no palácio das Necessidades, ainda havia ocasião para longas conversas. (mas podia passar-se hoje...). Um jovem diplomata, em diálogo com um colega mais velho, revelava o seu inconformismo. A situação económica do país era complexa, os índices nacionais de crescimento e bem-estar, se bem que em progressão, revelavam uma distância, ainda significativa, face aos dos nossos parceiros. Olhando retrospetivamente, tudo parecia indicar que uma qualquer "sina" nos condenava a esta permanente "décalage". E, contudo, olhando para o nosso passado, Portugal "partira" bem:

« Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história. Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia, que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental.

O embaixador sorriu, benévolo e sábio, ao responder ao seu jovem colaborador:

- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.

- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?

- Nós descendemos dos que ficaram por aqui... »



sábado, 23 de abril de 2011

Mr. Nobody


Outro que me passou ao lado. Mr. Nobody (2009) de Jaco Van Dormael com Jared Leto no principal papel é um extraordinário exercício de ficção a roçar o experimental. Tratando questões de fundo e de existencialismo mistura estilos e contextos com o objectivo de chegar a uma série de ideias estruturais de realidades paralelas opcionais, das eternas escolhas múltiplas onde naturalmente só uma prevalece mas que inevitavelmente deixa sempre a dúvida e a incógnita pairando sobre as outras descartadas. Iniciando o filme numa explosão de confusão Jaco vai gradualmente encaixando e dando forma a um edifício que se ergue a cada minuto, a cada camada revelada, e expõe isso propositadamente. Sequências onde no inicio são meros farrapos desnorteados vão-se depois completando num puzzle onde a partir de vários pontos se revelam partes do desenho como um todo, gratificante para o espectador.

Muito bom, no conteúdo, na forma. O filme necessita alguma paciência e uma audiência amadurecida para o assunto que trata e pela sua complexidade mas vale cada segundo despendido.
Ah! E nota mais também para Leto, grande maluco.


9.