Fikções, opinadelas e cenas que tais

domingo, 13 de março de 2011

Unstoppable. Hereafter.



Filme engraçado de puro entretenimento, apesar de baseado em factos verídicos. Tensão bem conseguida sempre em crescendo, produção cuidada. Um Denzell Washington igual a si próprio.

7.



Estava com enorme expectativa acerca deste novo Eastwood, o filme cativou-me de forma diferente, intimista e etero, Matt Damon tem uma performace de luxo, estava a gostar imenso... até bem perto do final! Aí, a partir desse preciso momento... alguém me pode explicar o que raio aconteceu?! É que não se consegue atingir onde o homem quer chegar com o remate final, a coisa descarrilou por completo, estava com pressa?! Indecifrável! Assinou ai talvez o seu pior filme de sempre.

7.

sábado, 12 de março de 2011

Tron Legacy


Dilema manhoso. Tipo, mas que raio?! Diria mesmo impressionante a panelada de mixed feelings com que estes tipos me fizeram viajar, atribuladamente, qual montanha russa torturante, altos, baixos, desde o odiar até ao espanto genuíno, em nítido delírio confrangedor. Estranho, muito estranho, fiquei deveras aturdido. Ora, no meu ponto de vista... gostei, ou não, e gostei de novo, bolas, vá, com picos a rasgar para cima e para baixo gostei, apesar de tudo, dando graças por não ter ido atrás do hype do costume ou teria dado maus resultados neste caso em particular.

Desbobinando entendo que apenas gostará dele na sua essência quem viveu o impacto do primeiro Tron de 82, e quando digo "viveu" refiro-me a todo o ambiente de experimentalismo que ele significou naquela precisa altura, naquele contexto, traduzindo-se num marco importante de imediato assim como o foram igualmente outros títulos (The Last Starfighter 2 anos mais tarde por exemplo). Efectivamente consigo captar como tentam fazer passar a ideia original e por vezes ela está lá, patente, inegável. É compreensível que alguém que não tenha passado pelo fenómeno quase 30 atrás ou tenha uma certa educação cinéfila adquirida mais recente não entenda muitos aspectos do filme e onde por vezes quer chegar, enfim, as coisas são como são.

Resumindo, o visual conseguido é deslumbrante como esperado e o exercício de estilo do melhor alguma vez passado para o grande ecrã, delicioso. Algumas sequências são de se lhe tirar o chapéu e fazem salivar, de primeira água. Mas entretanto é parvo como conseguem deitar por terra os troféus conseguidos e enxovalhar por completo a coisa toda, é nítido que o filme tem graves problemas de argumento presenteando-nos pontualmente com blocos desconexos, muitos perfeitamente deslocados ou mesmo desaguando em planos escusados. A 1ª hora de filme é gritante, a dada altura é tal a baralhada que me levam a pensar que nem os próprios argumentistas ou realizador saberiam por onde se orientar parindo algo estéril ou então não sabendo como desenlaçar os nós cegos que iam dando. Estúpido!

O filme e o seu verdadeiro "legado" mereciam melhor, é pena, estruturalmente chega a ser um ranger de dentes, tinham disponível a melhor mão de obra para atingir algo mais sólido e pincelado com um grande The Dude como sempre no seu melhor a ajudar à festa. No entanto fazendo jus: ao verdadeiro espectáculo visual; à linha central da história que encaixa de maneira interessante no mundo anterior; a um nexo meio espiritual nuclear que joga bem com o velho Flynn; à projecção do mundo digital agora evoluído, humanizado, e adaptado aos contornos digitais actuais bem conseguido; a uma banda sonora fabulosa dos Daft Punk; à visualização de um verdadeiro concerto visual em 1080p; e sobretudo, deixando cair toda a trapalhada criada dolorosamente pelo meio, que bluff!... mas olha, gostei, é entretenimento, espantosamente agradável de consumir o aspecto gráfico e de ouvir a bom som, vale por isso, e apenas.

7 (esticadinhos e em memória de TRON82...).

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tunga que já levaste!

Ear Infection

This is so true! They always ask at the doctor's office why you are there, and you have to answer in front of others what's wrong and sometimes it is embarrassing.
There's nothing worse than a Doctor's Receptionist who insists you tell her what is wrong with you in a room full of other patients.
I know most of us have experienced this, and I love the way this old guy handled it.
A 65-year-old man walked into a crowded waiting room and approached the desk.

The Receptionist said, 'Yes sir, what are you seeing the Doctor for today?'
'There's something wrong with my dick', he replied.
The receptionist became irritated and said, 'You shouldn't come into a crowded waiting room and say things like that. '
'Why not, you asked me what was wrong and I told you,' he said.
The Receptionist replied; 'Now you've caused some embarrassment in this room full of people. You should have said there is something wrong with your ear or something and discussed the problem further with the Doctor in private.'
The man replied, 'You shouldn't ask people questions in a roomful of strangers, if the answer could embarrass anyone. The man walked out, waited several minutes, and then re-entered.
The Receptionist smiled smugly and asked, 'Yes??'
'There's something wrong with my ear,' he stated.
The Receptionist nodded approvingly and smiled, knowing he had taken her advice.. 'And what is wrong with your ear, Sir?'
'I can't piss out of it,' he replied.
The waiting room erupted in laughter...


Mess with seniors and you're going to loose.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os Coisos, 2011


Segunda feira 28 de Fevereiro, Kodak Theater, apresentação dos Coisos 2011. Spotlights on! Pestanas down....

Um imenso mar inócuo e redondamente insípido, eis os Coisos dos dias de hoje. A tão proclamada celebração máxima do cinema reduz-se a uma imensa passadeira vermelha de vaidades em que nada mais acrescenta a uma industria que esperneia no estado actual das coisas. E que, no entanto, reage e tem sabido reagir bem, que merecia bem mais e melhor, no seu conteúdo e essência. Mas mais não me desdobro sobre o que já toda a gente resmunga baixinho.

Contudo é sempre bom comentar e discutir o estado das coisas, ridicularizar quem de direito, e aproveitando a deixa para, somando 1+1 (vá lá, não custa), tentar clarificar o que não é necessário: The Kings Speech é um filme competente, não há que enganar, competente, bem produzido, montado e com actuações excelentes. Melhor filme? Realizador? Argumento!? Como diz James Franco a dado momento em 127 Hours: Ups!

Não me gozem, até Toy Story 3 está uns pontos acima nestas três estatuetas, no conteúdo. Epá, não se mirrem ao ridículo ó meus, até já dá pena. Quer dizer, não bastava deixar de fora filmes excelentes como um The Town ou um Shutter Island ainda fazem uma destas? Agora dão pontos pelo aspecto da coisa? Ah e tal, este até me parece bem, um toque de sumptuosidade, clássico, não trás muito de novo, não arrisca, é, vai ser mesmo este, é seguro. Poupem-me. Melhor actor ainda vá, apesar de ombrear com outras grandes actuações, e no meu ponto de vista não era escândalo nenhum se levasse a de actor secundário, mas singelos camaradas, basta olhar um bocadinho e somar os tais 1+1, a sério que não custava mesmo nada:

- Black Swan - nem valeria a pena comentar sobre este mas aqui vai: filme claustrofóbico e conturbadamente rico, uma amalgama psicológica que bate constantemente nos sentidos dos espectador, um thriller fino e raro com o factor "interessante" a anos luz de TKS;
- Inception - uma viagem alucinante em espiral pela criatividade elevada ao cubo, um dos melhores filmes de ficção da década que merecia algo mais que os eternos técnicos. Nolan é mestre. Acordem! Afinal efeitos especiais nos dias de hoje não são só bonitos de se ver, são meras ferramentas para conseguir atingir uma meta, resultado, e não o contrário! Reparem lá vamos, muitos vêm também com argumentos, são filmes assim que fazem esta coisada toda andar para a frente e obrigam um tipo pagar o estupro que é um bilhete de cinema, vá, abram os olhos;
- The Fighter - ir ao topo do mundo e deixar-se cair ao abismo, bater no fundo e lá ficar, arrastando tudo e todos à sua volta, um excelente retrato de uma face decadente do universo desportivo do boxe. Filme sorrateiramente de eleição;
- 127 Hours - um hino à sobrevivência este o do episódio real na vida de Aron Ralston (http://en.wikipedia.org/wiki/Aron_Ralston). Antes de tudo um hino à vida e à esperança, permitam-me. Com uma realização de excelência , mais uma, de Danny Boyle e com um James Franco que me espantou, genuinamente;
- The Social Network - Filme marcante sobre um tema tão actual e de impacto Universal quanto o é na realidade, montagem excelente. Merecia o mesmo tratamento que teve nos Globos de Ouro;
- True Grit - um dos melhores filmes sobre o Oeste americano que já vi, a actuação deliciosa do eterno "The Dude" é inclassificável, e com uma interpretação notável da pequena Hailee Steinfeld (heads up!);
- Winters Bone - Já aqui escrevi sobre este, parece um outsider mas não é, acreditem, é desta matéria que se fazem os bons filmes. Excelente.

Toy Story 3 parece-me deslocado, não me prenuncio mais além do que já disse em cima. The Kids Are Allright não vi.

Resumindo, bom lote de filmes, estava esperançado (not...) que isto entrasse alguma coisinha nos eixos, havia dilema na escolha e o problema poderia ficar por ai, mas prontos, uma vez mais borram a pintura e escolhem o elo mais fracote, apesar de, repito, ser um bom filme. Coisa previsível, estéril, chata, apenas a renovação da constatação da pura estupidez anual dos Coisos, nada mais.

Um grande bocejo, viva o Sundance e os festivais europeus...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Oia vamu lá rir um b'cadinho...

Mano Mingo tava desempregado há meses.

Com a resistência que só os angolanos têm Mano Mingo foi tentar mais um emprego em mais uma entrevista.

Ao chegar ao escritório, o entrevistador observou que o candidato tinha o perfil desejado, as virtudes ideais e lhe perguntou:


- Qual foi seu último salário?
- 30 mil Kwanzas, respondeu Mano Mingo.
- Pois se o Senhor for contratado, ganhará 10 mil dólares por mês!
- Aká.... Jura?
- Que carro o Senhor tem?
- Eu tinha um carro de mão aonde punha legumes pra vender na zunga, mas tambem era alugado!
- Pois se o senhor trabalhar conosco terá um VX para si e um Vera Cruz para sua esposa, novos a estalar!
- Aiwéééé minha vida....Jura?
- O senhor viaja muito para o exterior?
- Quer dizer já fui até M'bula tumba, visitar uns parentes...
- Pois se o senhor trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes por ano, para Londres, Paris, Dubai, China, Nova Iorque, etc.
- Adjiiiiiiiii num fala mais....Jura só?
- E lhe digo mais.... O emprego é quase seu. Só não lhe confirmo agora porque tenho q falar com meu Sócio. Mas já esta praticamente garantido. Se até amanhã (6ª feira) a meia-noite o senhor NÃO receber uma carta nossa a cancelar, pode vir trabalhar na segunda-feira com todas essas regalias que eu lhe disse.
Então já sabe: se NÃO receber carta até a meia-noite de amanhã, o emprego é seu!

Mano Mingo saiu do escritório fraco das pernas mas feliz, apanhou um taxi com os ultimos 100 Kz e foi pra casa.

Agora era só esperar até a meia-noite da 6ª feira e rezar, mas tambem previniu-se e amarrou capim e colocou na esquina da rua que dava pra casa dele para que não aparecesse nenhuma maldita carta.


Sexta-feira dia do homem mais feliz não poderia haver.

E Mano Mingo ganhou coragem e reuniu a família e contou a nova.


Convocou o bairro todo para uma sentada
comemorativa à base de muito cabrité´, fino e música de kilape.

Sexta a tarde já tinha 2 barris de fino aberto dos 7 de kilape.


Às 21 horas a festa fervia.

O Dj (de kilape) estava a pôr todas ketas fixe, o povo dançava (era do cambua, era tudo...), a bebida era bar aberto....

22 horas, a mulher do Mano Mingo (tia Fatita) aflita, já achava que tudo era um exagero, e perguntava se a carta chegar...

A vizinha Matilde gostosa lá do bairo (mais conhecida por Beyoncé), interesseira dum raio bixa, já dançava do cambua só pro Mano Mingo.

E o Dj tocava (grandas cassetes sim senhora pá...)!


E as pipas abriam, uma atrás da outra!


O povo cantava "deixa a vida me levar... vida leva eu... (tava lhes kuiááááá malé)!


23 horas, Mano Mingo já era o papoite do bairro, pois tudo seria pago com os 10 mil Doláres....


E também porque o ultimo evento grande no bairro foi o óbito do Man Dadão que segundo o povo "bateu de milhões, muita bebida"...

E a mulher (tia Fatita) já não se aguentava, tava aflita, uns coxe alegre e já descabelada (quer dizer já com a peruca de lado)...


Às 23h50 minutos... Vira na esquina quase a chocar (por causa do capim amarrado lembram, ya quase deu certo) e fazendo jogo de luzes, um Corolla amarelo da DHL...


Ewéééééé, era a carta!


O amistoso (boda) parou!


O Dj parou a música!


O homem do cabrité apagou o carvão!


A vizinha Matilde (bixa dum raio) afastou-se!


Tia Fatita peidou!


Todos se perguntavam, e agora? Os kilapes?

" Coitado do Mano Mingo!" Era a frase mais ouvida.


- O sr. das pipas já bebado exclamou, "eu então quero o meu kumbú, também fiz kilape na Cuca..."!


O fino parou!


O Corolla amarelo parou!

Sai um kta kilombo e se dirigiu ao Mano Mingo:


- Senhor Domingos Makubikua? (nome do Mano Mingo)


- Si, si....simmm, só, só eu simmm...


-Tia Fatita lhe empurrou para frente e disse " agora fala bixo de merda, não finge que es gago eu te avisei..."

A multidão não resistiu....


Ewééééééééé, bandeiraaaaa!!!!!!!!!!!


E o kilombo do Corolla diz:


- Tenho uma carta muito importante para o senhor...


Mano Mingo não acreditava...


Pegou na carta, com os olhos cheios d'água, levantou a cabeça e olhou para todos....


Silêncio total.

Não se ouvia sequer um mosquito, até o transito de repente aquela hora engarrafou a espera da noticia...!


Mano Mingo respirou fundo e abriu a carta a tremer, enquanto uma lágrima escorregava no canto do olho....


Olhou de novo para o povo e tirou a carta do envelope, abriu e começou a ler em silêncio....

O povo todo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava:


- E agora? Quem vai pagar os kilapes?


Mano Mingo recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que olhava pra ele tipo novela da Globo...


Foi então que Mano Mingo abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e começou a gritar eufórico.


- É Mamã que morreeeeuuu!

- Mamã morreeeeuuu!!!!!!!
Pode continuar a festaaaaaaaaa...!
E o povo gritou, ehhhhhhhh VIVAAAAA....



Notas de rodapé:
Kilape - fiado
Kta - kota
Kumbu - dinheiro